quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Contribuição do Coletivo Quebrando Pedras, Plantando Flores para o CORESS da Região 2

Proposta para o ERESS 2011
Coletivo “Quebrando Pedras, Plantando Flores”
UFPE, UFPB, UEPB, FATERN, FACEX

CONJUNTURA
Observar as lutas sociais na América latina hoje, tendo a mesma como espaço onde estão sendo travados diversos embates políticos contra os setores dominantes, muitas vezes invisibilizados pela mídia, é extremamente necessário se quisermos pensar e fortalecer a organização daqueles/as que se colocam contra as injustiças sociais, contra as mazelas provocadas pelo sistema capitalista. Mas por que exatamente este continente e suas lutas?
Na década de 1990 podemos perceber o avanço progressivo do projeto neoliberal no continente latino-americano, o que leva várias forças populares a malograrem em seus objetivos. Mas antes mesmo de serem colhidos os “velhos e bons frutos” que a América sempre ofereceu não necessariamente ao seu povo, o neoliberalismo dava sinal de colapso e por uma rejeição a este projeto, setores progressistas alçaram vôo aos governos latino-americano, imprimindo derrotas à burguesia mais conservadora que estava atrelada aos anseios estadunidenses. Nunca na história deste continente foi visto uma sucessão de “vitórias” dos campos populares como desta vez, começando pela eleição de Hugo Chavez em 1998, seguida pela de Lula em 2002, Evo Morales em 2005, Rafael Correa em 2006, etc. Embora muitas dessas vitórias não tenham refletido, necessariamente, avanços para classe trabalhadora, ensejaram uma nova atmosfera para luta de classes na América latina, e do México até a Argentina é notório a existência e influência dos movimentos populares nos avanços que tivemos, ainda que poucos.
Num contexto de crise do capital e obviamente do projeto neoliberal, analisar o avanço das forças populares no nosso continente, salientando novamente, mesmo que tímido, é mais do que um imperativo para a esquerda mundial, é pré-condição para a organização a nível internacional dos/as lutadores/as sociais e também para construção de um projeto emancipatório, entendendo aqui as questões contemporâneas postas ao movimento dos/as trabalhadores/as.
Aqui ressaltamos a importância de um dos maiores movimentos sociais – MS - do mundo nessa conjuntura: o MST. Movimento que vem exercendo um papel imprescindível para a rearticulação da classe trabalhadora e dos diversos sujeitos coletivos em luta. Experiências com o Movimento Estudantil - ME, com o movimento de mulheres, com o movimento dos/as trabalhadores/as tem sido um dos exemplos de como o MST vem contribuindo para a unificação desses sujeitos em torno de um projeto comum. E ainda mais a luta pela reforma agrária, que faz com que este movimento esteja atualmente no foco da ofensiva capitalista e no centro da luta de classes, a nível brasileiro. Por isso, propomos para o eixo de CONJUNTURA:
Mesa: As lutas sociais na América Latina
Eixo 1: O significado das lutas antiimperialistas e anticapitalistas no continente latino-americano para luta de classes: projetos societários e conquistas obtidas. (Unidade Coletivo Sindical – UCS – Atenágoras)
Eixo 2: A contribuição do MST para a organização das e dos lutadores/as sociais na América Latina. (MST)




UNIVERSIDADE
A universidade exerce um papel estratégico na sociedade, forjando-se a partir de um paradoxo e constituindo-se como um espaço de disputa pela hegemonia, que responde prioritariamente aos interesses do capital, onde a produção de conhecimento é resultado de interesses mercadológicos, individualistas e meritocráticos, descompromissados com a realidade social e sem a intenção de transformá-la e nem sequer questioná-la.
Desta forma, indicamos como alternativa à superação desta universidade funcional, uma universidade que seja produto dos interesses da classe trabalhadora. Entendendo que a função da universidade é servir a sociedade de forma crítica, transformadora e criativa, é primordial a necessidade constante de incentivo real a indissociabilidade do tripé ensino-pesquisa-extensão, tendo a educação popular como fator determinante de aproximação da sociedade com o mundo universitário. A universidade nada mais  deve ser do que um espaço para o povo e do povo, onde o conhecimento científico deve partir da realidade deste, respondendo às suas demandas enquanto classe, superando esta pseudo-indissociabilidade que é tão marcante no espaço acadêmico e que restringe a universidade cada vez mais aos seus muros e às suas micro-estruturas.
A pesquisa representa o processo de construção do saber a partir da constatação da realidade posta. O ensino representa a transmissão e apropriação do saber historicamente sistematizado. Por fim, a extensão é o processo de objetivação ou materialização desses conhecimentos onde, numa relação dialética, o tripé permite o conhecimento de dentro para fora e de fora para dentro, ou seja, universidade-sociedade.
Destarte, por uma universidade pública, gratuita, laica, presencial, de qualidade, popular e que garanta a indissociabilidade do tripé ensino-pesquisa-extensão, façamos da Universidade Popular nosso horizonte estratégico!
Mesa: Caminhos e perspectivas para um projeto de Universidade Popular
Eixo 1: Como e a quem serve a universidade brasileira? (Roberto Leher)
Eixo 2: Um espaço de construção de conhecimento, um espaço de disputa pela hegemonia (MST)
Eixo 3: Uma perspectiva Popular (Movimento Universidade Popular – MUP)



OPRESSÕES
Partindo da condição sócio-histórica da homossexualidade como parte constitutiva das relações sociais e relacionando com a atual conjuntura que, constrói um padrão de ideal “humano”, a discussão acerca deste assunto requer relacionar as intencionalidades sociais de controle por meio da estigmatização para assim interagir com a vasta disseminação do preconceito e discriminação desta condição como “desviante” e “desestruturante” socialmente.
            A sociedade tem seu “padrão”, que na ideologia dominante, do micro-espaço de família nuclear burguesa quando, por exemplo, alguém desse núcleo “quebra a ordem” é marginalizado e discriminado sofrendo além do preconceito introjetado também os preconceitos nos espaços de suas relações sociais.
            Considerando a América Latina como uma região onde o conservadorismo e o autoritarismo são muito fortes, a condição do homossexual é vista por um prisma homofóbico, onde a realidade da aceitação enquanto homoafetivos requer uma perseverança e resistência diante da sociedade excludente.
            Sendo assim, entendemos como pertinente e indispensável a abordagem do tema LGBT, indicando como proposta a seguinte mesa:
MESA: Sociedade o quanto a diversidade lhe incomoda?
EIXO 1: Configuração sócio-histórica da homofobia e a violação dos Direitos Humanos (Leões do Norte)
EIXO 2: Nadando contra a maré: na luta pela inserção e valorização do trabalho de travestis e transexuais. (ASTRAPA – Fernanda Benvenutty)



FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Em dias de ofensiva neoliberal, onde o capital articula ações de reestruturação para atingir novamente seu desumanizador progresso, a formação profissional em serviço social vem sofrendo fortes conseqüências que dificultam e desmontam a efetivação de uma perspectiva crítica, firmada nos ideais de emancipação política e social.
No nível teórico, ideológico e metodológico percebe-se uma reintrodução do conservadorismo, travestido em uma análise pós-moderna de inovação que traz consigo uma interpretação fragmentária da realidade, perdendo a abstração de determinantes macroestruturais. Com a proliferação desqualificada das instituições de ensino superior no Brasil, marca-se um processo de levantamento de dados, que simplesmente comprovem que está ocorrendo investimentos em educação, maqueando uma verdadeira situação de precarização. Percebemos assim, o campo primordial para o avanço desta perspectiva pós-moderna.
            Contudo, como a categoria pode enfrentar esta situação, será possível além de defender também ofender? Sim, porém, não estamos com isso insinuando que existe uma receita pronta para a solução dos nossos problemas. Sabemos das inúmeras dificuldades encontradas na luta por uma formação de qualidade mas, afirmamos que ações em nível político coletivo devem ser nosso ponto de pauta, para que possamos assim, concretizar nossos objetivos.
MESA: Desafios contemporâneos colocados à formação profissional
EIXO 1: A reintrodução de perspectivas conservadoras e a teoria social crítica ou marxista na formação de futuros assistentes sociais. (Sâmbara)
EIXO 2: Os impactos sofridos na formação acadêmica pela proliferação desenfreada das instituições de ensino superior – IES. (Abepss)
EIXO 3: Respostas de enfrentamento à precarização do ensino e reafirmação do Projeto ético-político – PEP. (ENESSO)





MOVIMENTO ESTUDANTIL
O movimento estudantil passa por um período delicado na atual conjuntura. Entretanto, como os demais movimentos sociais, este vem construindo-se como uma articulação de resistência na contramão da ofensiva capitalista.
O sentido da coletividade se esvaiu, e no mundo do imediato são poucos os que se atrevem a favor da luta. Ainda neste contexto, apontamos uma crise de autonomia necessária a organização e direcionamento objetivo para a tática do movimento estudantil.
Uma gama de mudanças latentes vem a influenciar diretamente a articulação interna mas, segundo uma perspectiva dialética, podemos fazer uma analise a cerca destas mudanças colocando-as numa perspectiva histórico-social, traçando estratégias horizontalizadas na busca de unificar, tendo por vias o único fim expresso em suas diversas bandeiras de transformação social em direção a liberdade humana.
Salientando o fato de como as entidades de base CA’s e DA’s são primordiais na busca de firmamento dessa concepção, tendo em vista que tais mostram-se como as instituições mais próximas do corpo estudantil, o movimento vem refletindo estas características e, frente a isso, sente-se a necessidade de analisar fundamentos que direcionem sua atuação, organização e prática, para a efetivação dos ideais de emancipação.
Mesa: A necessidade orgânica de se reinventar.
Eixo 1: Concepção do ME em si e do que buscar para si. (Movimento Levante)
Eixo 2: Tática no Movimento Estudantil e seu horizonte estratégico. (Roberto Efren)
Eixo 3: Análise das tendências no MESS e suas contribuições para nossa organização e mudanças recentes ocorridas na Executiva Nacional dos/as Estudantes de Serviço Social. (ENESSO)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Carta de Princípios


  • Compromisso com a construção de uma sociedade livre de dominação/exploração de classe, etnia e gênero;
  • Articulação com os movimentos sociais, culturais e classistas que lutam contra as injustiças sociais e a hegemonia capitalista, incentivando, também, a participação de estudantes nos espaços e debates fomentados por esses movimentos;
  • Pela construção de um bloco de esquerda antiimperialista e anticapitalista;
  • Apoio e solidariedade aos povos oprimidos e em luta contra o capital;
  • Por uma universidade pública, gratuita, laica, presencial, de qualidade, a serviço da classe trabalhadora e que garanta a indissociabilidade do tripé ensino-pesquisa-extensão;
  • Reafirmar nosso posicionamento em defesa e pelo fortalecimento do Projeto Ético-Político Profissional;
  • Pela implementação das Diretrizes Curriculares da ABEPSS nas unidades de ensino superior em Serviço Social, por entender que esta visa proporcionar uma formação profissional crítica e qualificada;
  • Aliança estratégica entre a ENESSO, o conjunto CFESS/CRESS e a ABEPSS;
  • Respeito à pluralidade como forma de garantir o livre exercício da política no Movimento Estudantil;
  • Prezar pela autonomia, tendo esta como pressuposto fundamental para uma atuação crítica e comprometida com a transformação social;
  • Reconhecimento da ENESSO enquanto entidade histórica que representa os estudantes de Serviço Social no Brasil;
  • Afirmação do direito à identidade cultural, a liberdade de expressão/orientação sexual e repulsa a toda forma de preconceito, discriminação e as mais diversas opressões que nos constrangem.

Manifesto de construção do coletivo “Quebrando Pedras, Plantando Flores”

Manifesto de construção do coletivo
“Quebrando Pedras, Plantando Flores”


No mais recente ERESS da região 2, que aconteceu nos dias 3, 4, 5 e 6 de Junho de 2010 em Mossoró – RN, um grupo de estudantes militantes do MESS se reuniram para discutir sobre a atual conjuntura do Movimento Estudantil em Serviço Social e a partir desta discussão tiraram como encaminhamento a proposta de construção de um coletivo visando problematizar as carências organizativas e dialógicas que estão postas para nós. Ainda nesse encontro, foram realizadas algumas plenárias no intuito de discutir a proposta com o conjunto de estudantes que se fizeram presentes naquele espaço e certamente de convidá-los/as para essa necessária construção. Por estar bastante incipiente (o coletivo nem ao menos tinha nome), o grupo, que hoje se pretende coletivo, naquele momento não tinha quase nada para apresentar de concreto a não ser a vontade de construir, em termos práticos, essa ideia: fazer movimento. Como vocês vêem simples como as pombas e espinhoso como sempre será nos limites desta ordem que dificulta, necessariamente, a nossa organização, a nossa resistência e nossa luta.
É preciso contextualizar ainda mais como se deu e como está se dando o processo de maturação desta ideia que aos poucos estamos colocando em prática. Não foi de súbito, nem muito menos foi um movimento espontaneísta de um número ainda limitado de militantes para com a necessidade de organização e proposição. Esta é uma construção que, como já foi dito, vem amadurecendo lentamente, tendo início, mais especificamente, em meados de Janeiro, quando alguns estudantes das escolas da PB, de PE e do RN começaram a se articular para discutir a possibilidade desta proposta. E foi neste ERESS que as ideias foram ganhando corpo.
Partindo da análise de que o Movimento Estudantil vive um período de refluxo assaz dificultoso e que isto incide diretamente na nossa organização e conseqüentemente nos nossos encontros, nas nossas entidades e na nossa capacidade interventiva, provocando análises equivocadas e práticas desagregadoras que repercutem numa acentuada rivalização e numa disputa fratricida, chegamos a conclusão da necessidade de fortalecer e ampliar a participação no movimento, centrando nossas forças nos DAs/CAs por entendermos que este não é um problema somente das direções gerais do ME(SS), embora atinja as mesmas, mas que é uma crise generalizada com mostras aparentes em todas as esferas do Movimento Estudantil – distanciamento das entidades dos/as estudantes que militam na base organizativa do movimento, crise de representatividade, dispersão e descrença por parte dos sujeitos nas lutas sociais etc. Pautamos, também, uma construção que unifique o máximo de estudantes em volta daquilo que defendemos para a universidade, para educação e para sociedade em geral, sem, no entanto, anular as diferenças nem tampouco pretender um falso consenso, o que tem acontecido muito em nossos espaços.
Nesse sentido, convidamos a todos e todas para participarem dessa empreitada, certamente por duras sendas, quebrando pedras no caminho, mas plantando sementes para ver nascerem novos horizontes.